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NR-1 riscos psicossociais PGR SST

Riscos psicossociais no PGR: como identificar, avaliar e criar o plano de ação

Veja como integrar riscos psicossociais ao PGR: fontes de dados, inventário, avaliação, plano de ação, participação dos trabalhadores e evidências.

Angélica Nascimento

Angélica Nascimento

Fundadora do IDHAN | Mentora Empresarial

"Veja como integrar riscos psicossociais ao PGR: fontes de dados, inventário, avaliação, plano de ação, participação dos trabalhadores e evidências."

Como incluir riscos psicossociais no PGR? A empresa precisa identificar fatores relacionados à organização e à gestão do trabalho, avaliar os riscos de acordo com seus critérios de GRO, registrar as informações no inventário, definir medidas de prevenção no plano de ação, acompanhar resultados e manter evidências do processo. O foco é a condição de trabalho e os grupos expostos, não o diagnóstico psicológico individual de cada trabalhador.

A redação vigente da NR-1, com vigência desde 26 de maio de 2026, inclui expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. O tema, portanto, não deve ficar solto numa pesquisa de RH: precisa conversar com o GRO e se materializar no PGR quando aplicável.

Este artigo complementa o panorama sobre o que mudou na NR-1 com foco no processo operacional. O conteúdo é educacional e não substitui avaliação de profissionais habilitados em SST, saúde ocupacional e direito.


O que são fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho

São condições da organização e da gestão do trabalho que podem contribuir para dano à saúde. O Manual do capítulo 1.5 da NR-1 cita exemplos como excesso de demandas, assédio e falta de suporte.

Outros fatores que podem precisar de investigação, conforme o contexto, incluem:

  • carga, ritmo e jornada incompatíveis com a execução segura;
  • baixa clareza de papel ou prioridades contraditórias;
  • pouca autonomia diante de alta responsabilidade;
  • comunicação insuficiente em mudanças organizacionais;
  • violência, assédio ou discriminação;
  • falta de apoio da liderança e das interfaces de trabalho;
  • isolamento ou condições inadequadas de trabalho remoto;
  • relações e processos que impedem reportar riscos.

Esses exemplos não formam uma lista de diagnóstico. A empresa precisa compreender seu trabalho real, seus processos, seus grupos expostos e a combinação dos fatores presentes.


PGR, inventário de riscos e plano de ação

O Ministério do Trabalho e Emprego define o PGR como a materialização do processo de GRO. Ele deve conter, no mínimo, dois documentos articulados:

Inventário de Riscos Ocupacionais: reúne identificação de perigos e avaliação dos riscos, permitindo definir a necessidade de medidas de prevenção.

Plano de Ação: registra medidas que serão introduzidas, aprimoradas ou mantidas para eliminar, reduzir ou controlar os riscos.

Um questionário pode ser uma fonte de informação. Ele não substitui esses documentos, a análise do trabalho nem o acompanhamento das medidas.


Como identificar riscos psicossociais no PGR

1. Organize a governança do processo

Defina responsáveis, participação de SST, liderança, RH e trabalhadores, além de apoio especializado quando necessário. Estabeleça como informações sensíveis serão protegidas e como situações urgentes serão encaminhadas.

2. Caracterize o trabalho real

Mapeie atividades, funções, turnos, metas, jornadas, processos, mudanças recentes e grupos que podem estar expostos de formas diferentes. A descrição formal do cargo não substitui a observação de como o trabalho acontece.

3. Combine fontes de informação

Use fontes compatíveis com o contexto, por exemplo:

  • observação das atividades e da organização do trabalho;
  • escuta de trabalhadores e representantes;
  • entrevistas ou grupos de discussão;
  • dados agregados de jornada, afastamentos, acidentes e rotatividade;
  • registros de ocorrências e canais formais;
  • questionários adequados ao objetivo;
  • documentos, procedimentos e mudanças de processo.

Cada fonte tem limite. Afastamento não prova sozinho uma causa ocupacional; ausência de denúncia não prova ausência de assédio; uma média geral pode esconder um grupo exposto.

4. Identifique perigos e grupos expostos

Registre o fator relacionado ao trabalho, onde e quando aparece, quais grupos podem estar expostos e que danos precisam ser considerados. Evite transformar o inventário em lista de pessoas ou de diagnósticos clínicos.

5. Avalie e classifique o risco

Aplique os critérios definidos no processo de GRO da organização, com método documentado e coerente. Considere as características do fator, exposição, controles existentes e consequências possíveis. A avaliação precisa permitir priorização e revisão, não apenas produzir uma cor numa matriz.

O manual oficial e as diretrizes da Fundacentro devem orientar a aplicação técnica. A ISO 45003 também oferece diretrizes para gerenciar riscos psicossociais dentro de um sistema de saúde e segurança ocupacional, mas não substitui a legislação brasileira.


Como criar o plano de ação

O plano precisa atacar a condição de trabalho que produz ou mantém o risco. Para cada prioridade, registre:

  • fator e situação que serão tratados;
  • medida de prevenção escolhida;
  • responsável pela implementação;
  • prazo e recursos necessários;
  • forma de acompanhar execução;
  • indicador ou evidência para avaliar resultado;
  • data ou condição de revisão.

Prefira medidas organizacionais que atuem na origem. Se o problema é meta incompatível com capacidade, uma palestra sobre resiliência não corrige a meta. Se existe ambiguidade de papel, a ação precisa rever decisão, responsabilidade e comunicação. Se falta apoio da liderança, treinamento pode fazer parte da resposta, mas deve vir acompanhado de expectativa, acompanhamento e consequência.

Cuidar da pessoa não substitui corrigir a condição de trabalho.

Ações individuais de acolhimento e cuidado podem ser necessárias, mas não devem ser usadas para deslocar toda a responsabilidade para quem está exposto.


Quais evidências o processo deve manter

Evidência não é volume de arquivo. É registro suficiente para demonstrar como a empresa decidiu e agiu. Conforme o caso, o conjunto pode incluir:

  • critérios e método utilizados;
  • participação das áreas e dos trabalhadores;
  • fontes analisadas e limites reconhecidos;
  • inventário atualizado;
  • prioridades e justificativas;
  • plano de ação com responsáveis e prazos;
  • registros de implementação;
  • acompanhamento da eficácia das medidas;
  • revisões após mudanças ou identificação de novos riscos.

Proteja dados pessoais e informações de saúde. O PGR não deve expor relatos identificáveis desnecessários. Registros detalhados de atendimento, denúncia ou condição individual precisam seguir fluxo próprio, com acesso restrito e base adequada.


O que não fazer na gestão de riscos psicossociais

Não usar apenas uma pesquisa de clima. Ela pode contribuir, mas clima e risco ocupacional não são a mesma coisa. Veja como estruturar uma pesquisa de clima sem prometer mais do que ela mede.

Não diagnosticar pessoas por questionário. O foco do GRO é o risco relacionado ao trabalho. Avaliação clínica pertence a profissionais habilitados e a outro contexto de cuidado.

Não coletar dados sem finalidade e proteção. Mais detalhes podem aumentar exposição sem melhorar a decisão.

Não limitar a resposta a campanha de bem-estar. A ação precisa enfrentar organização, processo, recursos, liderança e relações quando esses fatores estiverem na origem.

Não prometer conformidade garantida. Conformidade depende do contexto, da qualidade técnica do processo e da execução real da empresa.


Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais no PGR

A NR-1 exige teste psicológico dos trabalhadores? Não. A gestão se concentra nos fatores de risco relacionados ao trabalho. Instrumentos e atos privativos da Psicologia obedecem a regras profissionais próprias e não devem ser confundidos com o inventário do PGR.

Quem deve elaborar essa parte do PGR? A organização deve definir responsabilidades e envolver profissionais com competência técnica compatível, integrando SST, trabalhadores e áreas relacionadas. O arranjo depende do porte, setor, riscos e obrigações aplicáveis.

Pesquisa anônima é obrigatória? A norma exige identificação e gestão dos riscos, não um formato único de questionário. A coleta deve ser adequada ao contexto, favorecer participação e proteger confidencialidade.

O plano de ação pode ter apenas treinamento de liderança? Somente se a avaliação demonstrar que essa medida é adequada e suficiente para o fator identificado. Quando a origem está em carga, jornada, falta de recurso ou desenho do processo, a intervenção precisa alcançar essa condição.

Quando o inventário deve ser revisto? Siga as hipóteses e prazos aplicáveis da NR-1 e revise também quando mudanças no trabalho alterarem os riscos, controles se mostrarem insuficientes ou novas informações relevantes aparecerem.


Integrar riscos psicossociais ao PGR é ligar escuta, análise, prevenção e evidência num processo contínuo. Para conhecer a formação do IDHAN sobre essa implementação, acesse NR-1 na Prática com o Método PROTEGE.

Base editorial

Fontes e referências

Referências usadas para sustentar conceitos, limites de aplicação e afirmações verificáveis deste artigo.

  1. Manual de interpretação e aplicação do capítulo 1.5 da NR-1

    Ministério do Trabalho e Emprego · Fonte oficial

  2. ISO 45003:2021: Psychological health and safety at work

    International Organization for Standardization · Norma técnica

Angélica Nascimento

Angélica Nascimento

Fundadora do IDHAN | Mentora Empresarial — +30 anos de experiência em desenvolvimento humano e liderança organizacional.

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