Uma mulher entre dois mundos
De uma família influente a uma visão pública de futuro
Luzia Rennó Moreira nasceu em Santa Rita do Sapucaí, em 1907, filha de Francisco Moreira da Costa e Mindoca Rennó Moreira. Cresceu entre propriedades cafeeiras e relações políticas — era sobrinha do presidente Delfim Moreira — e teve uma formação pouco acessível à maior parte das mulheres brasileiras de sua época.
Aos 22 anos, casou-se com o diplomata Antônio Moreira de Abreu. A vida diplomática ampliou seu repertório: registros do Inatel mencionam períodos e viagens por México, Estados Unidos, Japão, Portugal, Bélgica e China. O contato com países em transformação industrial ajudou a consolidar nela a convicção de que ciência, eletrônica e telecomunicações teriam um papel decisivo nas décadas seguintes.
Em 1942, após uma separação judicial — o termo historicamente correto para o período —, retornou definitivamente a Santa Rita. A cidade oferecia poucas perspectivas de formação para jovens que não podiam sair para estudar. Sinhá passou a usar aquilo que possuía — patrimônio, influência e capacidade de articulação — para mudar esse cenário.
Sua ruptura mais importante não foi apenas pessoal. Foi a decisão de converter privilégio privado em estrutura pública de oportunidade.